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Happy Birthday

  Happy Birthday    My mind is blank.  Empty with nothing for nothing.  Meaningless thoughts of nullity;  Don’t know what to think or feel,  or what to do with this can of sardines inside my purse.  I feel like I don’t exist, but I also cannot care for recognition.  Does it even matter to exist at this point?  Or to  Think of something else  Think of something  Anything at all.  Quelque chose to make me feel like I am, instead of I was;  A way not for the professional,  But a passion for the personal.    I look around and things seem clean and white,  But the heaviness of this modern lightness makes me numb.  Void mind –  there but not there –,  Noises upon noises, upon noises.  People, cars, the welcoming music of clothing stores.  Noises not directed at me (or anyone).  Loneliness from vagueness;  Lack of feeling.  Stone cold strangers, my brothers, ...

O Gaiteiro

[Essa versão está bastante datada (11/23) e permanece aqui somente para arquivo. O trabalho foi reescrito e virá de conjunto a um novo projeto.]    Acabava de sair da casa de um amigo tarde da noite, pois não queria que fosse embora antes da chuva passar. Falamos nossos adeus e me observou descer a rua me guardando com o olhar. Chegando na esquina tinha duas opções: ir para casa explicar meu desaparecimento, ou vadiar pelas ruas escuras e molhadas da cidade. Decidi aumentar a preocupação de mamãe que certamente esperava acordada, e fui caminhar para ainda mais longe do lar.  Sempre adorei os bairros de classe média alta, cheios de casas largas com flores, decorações em cerâmica e pintura da cor mais destacável possível em cada uma. Sempre tinha asfalto e calçadas rachadas e campainhas para tocar e correr. O comércio local se dividindo entre bares para os mais pobres, outros para os mais ricos, floriculturas e lanchonetes das mais diversas. A salgateria do tio D. vendia as...

Untitled 01

Para Sofia, uma das minhas pessoas favoritas.   I  Ela caminha o mais rápido que pode. Não por ter pressa, mas pelo medo de a notarem. Não quer ser vista, mas Papai Noel nunca trouxe sua capa de invisibilidade. Sua única esperança é a velocidade, mas sempre num passo polido o suficiente para não a acharem louca. Ela caminha o mais rápido que pode mas não vê o fim, ainda está a mais de três quilômetros de seu objetivo e esse fato consome sua força de vontade numa cadência veloz, e o desejo de correr pela sua vida, agora já a dois blocos de sua casa, é indizível. O coração bate rápido num tum-tum cada vez menos ritmado, os pulmões parecem pesar toneladas, e não importa o quão rápido aspire, o oxigênio nunca parece suficiente. Ela vira a esquina, cola as costas na parede e olha em volta. A claridão do dia faz doer os olhos e não consegue enxergar as casas, que se unem num só borrão branco como o paraíso. Ela teme que Deus a veja nesse estado. O suor escorre mas não sente calor, u...