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La Fleur Morte p.2

    “Bem. Estou bem. Sem motivos para estar melhor ou pior.”     “É tão monótona, sabe?, a vida... Tão cheia de falhas, de buracos, e nós como falhas, como acaso. A saliva do deus peregrino que aconteceu de ser cheia de vida. Tudo nosso não passa de extensão daquilo que nunca deveria ser, tão sem sentido quanto todo o resto que posso ver, tocar. As palavras não deviam existir, os sons, as imagens, as roupas, não deviam existir. Tão menos a arte, tão menos a ciência, tão menos nós aqui, conversando... Sabe?     “Qual o sentido da vida? Nosso criador nunca nos deu sentido para viver. Frutos do acaso, perambulamos para lá e para cá, inventando conceitos, uma roda atrás da outra, inventando modas. Quando um morre, tem dois, três nascendo. Avanços para o geral, nunca individual, pois o que é individual importa tanto para o próximo quanto o geral para o resto do universo. Não consigo me importar com qualquer conquista humana, nenhuma delas me fascina. E...

La Fleur Morte p.1

     Desde pequeno adorei flores. De todos os tipos e todas as cores. Minha flor era uma bela margarida num vasinho na janela, a qual regava todos os dias. Todos os dias sentia a mesma fragrância suave e a maciez de suas pétalas. Seu tempo de vida foram dois meses de primavera; o caule no lixo e as pétalas secando sobre a escrivaninha, onde as podia ver. Em menos de uma semana estavam secas e frágeis. O branco dando lugar a um seco marrom com cheiro de nada; lindas como nunca antes. Despetalar flores tornou-se um hobby, e logo vieram outras. Tulipas, rosas, petúnias. A floricultura como um açougue; a carne, a arte, o desejo pela falha da vida. As sementes e o fazer viver; quanto mais tempo aguardasse melhor a sensação no assassínio. O vaso um leito, onde se nascia e onde se morria; a velha escrivaninha de carvalho escuro a mesa mortuária, as flores o experimento. Qual tipo o mais resistente? Qual o mais cheiroso? Quais as melhores texturas? De flor em flor, de pergun...